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sexta-feira, 10 de março de 2017

Sobre ser... Sobre o Tempo...

Em tudo que passamos, não há como não se tirar algum aprendizado. As circunstâncias da vida, ainda que muito difíceis de serem sobrepujadas, têm a capacidade primordial de nos tornar melhores, de nos beneficiar com a possibilidade de crescer, evoluir... Às vezes, ainda assim, aparentando não termos saído do lugar...

É de se impressionar com o tempo - que passa! e como passa! - e que não se importa com nada: o tempo é o que é, não despreza sua natureza, nem à dos demais... Ele, simplesmente, é o Tempo. E, para sê-lo, precisa estar inteiro em suas características, ações, motivações, consequências... Sim, ei-lo, o Tempo...


É engraçado parecer não perceber como passam os dias, como passam os momentos e seus instantes, como nós somos momentos, instantes, passantes! Somos passageiros num mesmo vagão da vida, dependentes do tempo e independentes de tudo, sendo o que devemos ser, ainda que, na maior parte do Tempo, não o sejamos... 


É interessante como o Tempo - fugidio - é tão presente... e mais presente que nós a nós mesmos, aos próximos e aos demais também. É de se interessar perceber como perdemos um tempo que é desertor e que, acima de nossas escolhas, é a si mesmo e sua totalidade. É, nem sempre foi assim, mas passou a ser, independentemente do que somos, de sermos ou não sermos, ocupando algum espaço - de tempo - até que nos esvaiamos... Restando, unicamente, lembranças do que FOMOS... E, neste lapso, sinto como é pesada a expressão de sermos, de fato... De, simplesmente, sermos o que somos...

E as circunstâncias da vida nos levam ao inimaginável - mesmo quando gastamos horas ou dias em planejamentos, devaneios, sonhos -, pois são capazes de fazerem reais as adversidades, os encontros desencontrados, as surpresas nem sempre tão boas - boas ou distantes de nossas expectativas...? - e os descuidos maravilhosos proporcionados por momentos únicos, substancialmente verdadeiros como o puro Tempo...

A simplicidade de sermos rasos nos permite a graça de vivermos verdadeiramente... Aprendemos com sua linearidade, que já aponta para o horizonte da vida, despreocupado com o tempo, tal qual ele [o tempo] é conosco, sendo, simplesmente, o que é!... Parece que tudo se auguria, tudo passa a ter a mesma essência, pertencer à mesma natureza por sermos rasos.

Ainda me perco nos pensamentos, mas algo me leva para o mais distante: se vivêssemos como o que não se pode determinar e tivéssemos a mesma essência do tempo, o que seria de nós?

Que não sejamos íngremes, mas que busquemos ser rasos... Para que esta ágora angelical não seja apenas imaginária, constante devir do anseio, mas tão real quanto o Tempo...

10/03/2017