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segunda-feira, 15 de maio de 2017

Amada Solitude

Imaginária solitude!
Venhas me acolher...
Abraça-me com teu fulgor
E abrasa esta minh'alma fugidia...
Dá-me o ardor de teus braços
E os afagos para teus cabelos...

Ó, amada Solitude...
Por que andas tão distante?
Esqueste do amor que me trazias?
Dos sonhos que me fizeste deleitar,
E o prato que enxugaste d'alma minha,
Que por tanto amar, me fiz tão teu...

Quão distante estás, doce Solitude,
Que estes olhos, tão teus, inebriados
Do cansaço dos dias que passam,
Não podem ao menos tocar os teus,
Tão meus quanto pudeste tê-los feito
Na moldura d'alma tua, tão devotos a ti?

Por onde vagureias, doce Solitude,
Cujos lábios não me podem dedicar
Rimas ou versos, canções ou calor?
Por onde passas que não vejo, Solitude,
O amor que tanto me elevou, vivificando-me
À tertura que só tu ousaste mostrar-me ter?

sexta-feira, 10 de março de 2017

Sobre ser... Sobre o Tempo...

Em tudo que passamos, não há como não se tirar algum aprendizado. As circunstâncias da vida, ainda que muito difíceis de serem sobrepujadas, têm a capacidade primordial de nos tornar melhores, de nos beneficiar com a possibilidade de crescer, evoluir... Às vezes, ainda assim, aparentando não termos saído do lugar...

É de se impressionar com o tempo - que passa! e como passa! - e que não se importa com nada: o tempo é o que é, não despreza sua natureza, nem à dos demais... Ele, simplesmente, é o Tempo. E, para sê-lo, precisa estar inteiro em suas características, ações, motivações, consequências... Sim, ei-lo, o Tempo...


É engraçado parecer não perceber como passam os dias, como passam os momentos e seus instantes, como nós somos momentos, instantes, passantes! Somos passageiros num mesmo vagão da vida, dependentes do tempo e independentes de tudo, sendo o que devemos ser, ainda que, na maior parte do Tempo, não o sejamos... 


É interessante como o Tempo - fugidio - é tão presente... e mais presente que nós a nós mesmos, aos próximos e aos demais também. É de se interessar perceber como perdemos um tempo que é desertor e que, acima de nossas escolhas, é a si mesmo e sua totalidade. É, nem sempre foi assim, mas passou a ser, independentemente do que somos, de sermos ou não sermos, ocupando algum espaço - de tempo - até que nos esvaiamos... Restando, unicamente, lembranças do que FOMOS... E, neste lapso, sinto como é pesada a expressão de sermos, de fato... De, simplesmente, sermos o que somos...

E as circunstâncias da vida nos levam ao inimaginável - mesmo quando gastamos horas ou dias em planejamentos, devaneios, sonhos -, pois são capazes de fazerem reais as adversidades, os encontros desencontrados, as surpresas nem sempre tão boas - boas ou distantes de nossas expectativas...? - e os descuidos maravilhosos proporcionados por momentos únicos, substancialmente verdadeiros como o puro Tempo...

A simplicidade de sermos rasos nos permite a graça de vivermos verdadeiramente... Aprendemos com sua linearidade, que já aponta para o horizonte da vida, despreocupado com o tempo, tal qual ele [o tempo] é conosco, sendo, simplesmente, o que é!... Parece que tudo se auguria, tudo passa a ter a mesma essência, pertencer à mesma natureza por sermos rasos.

Ainda me perco nos pensamentos, mas algo me leva para o mais distante: se vivêssemos como o que não se pode determinar e tivéssemos a mesma essência do tempo, o que seria de nós?

Que não sejamos íngremes, mas que busquemos ser rasos... Para que esta ágora angelical não seja apenas imaginária, constante devir do anseio, mas tão real quanto o Tempo...

10/03/2017