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terça-feira, 15 de março de 2016

O ponto inicial...

...Que se parte de onde, senão, do princípio; e o que, de fato, é princípio? A incipiência é um princípio? E o princípio seria, deveras, um princípio? E o início? Começar, talvez, seja o início de um princípio ou, ainda, o princípio do início.
Em tempos de rotinas e de zumbis sociais, o ponto de partida é um princípio - ou uma ausência de princípios: partimos de inícios sem estrutura, sem qualquer base suficientemente sólida para se iniciar um projeto, para que venha a ter bom princípio e seja de princípios. Eis a grande máxima moderna: ter princípios não permite a existência singular da liberdade (de não os ter). 
O niilismo corrobora para uma introdução ao desfalecimento ininterrupto, contínuo, devastador e avassalador da sociedade, da estrutura familiar, da construção do ser humano enquanto HUMANO, enquanto ser-social e motivador da edificação do todo, de todos, para todos. Não se tem uma estrutura - tão raro - em que possamos compreender o ser humano em sua essência, posto que essa situação é sinonímia de uma neo-anteposição ao pensamento moderno: não existe "ser humano", não existe identidade, não existe a existência do ser em si, não existe... Existe? Inexiste? O que existe? Para quê existir? E o que é, de fato, existir?
Permanecemos, portanto, num contexto imbricado de conceitos destruídos, que atemorizam os modernetes e faz com que tudo o que seja fundamental ao desenvolvimento salutar do ser humano, torne-se, exclusiva e estritamente, deplorável, marginal, preconceituoso, engessado, antiquado. Permanecemos. Ainda permanecemos. Enquanto houver essa estagnação, o conceito de "ser humano" tornar-se-á extinto, fazendo-se "necessária" a instauração de um "novo" conceito capaz de trazer a totalidade da plenitude do que vislumbra enquanto "ser", pelos modernetes, o que realmente é o ser existencialmente "humano".
Tornamo-nos sedentários de pronunciamentos de opinião, acuados defensores de princípios que foram taxados de "moralistas", permitimo-nos ser escravizados por instauradores de estigmas, estes, que nunca existiram, mas que fizeram com que viessem a existir, e com força de matéria, quando, deveras, são infundamentados, destrutivos e saqueadores das verdades inerentes ao ser humano, à sua própria existência natural, de suas propriedades fundamentais. Vivenciamos o verdadeiro APOCALIPSE da humanidade ou, sendo mais objetivo, o fenômeno escatológico da perfeita criação do Altíssimo: o ser humano à Sua imagem e semelhança.
É interessante o quanto se misturam, já no ponto de partida, conceitos que não só teriam sentidos divergentes, mas que, ao contrário, contemplam-se - exatamente! -, contemplam-se mutuamente: temos princípios fundamentais que caracterizam, constituem, identificam a estrutura do ser humano, assim como o que fundamenta a estrutura de animais, vegetais, circunstâncias naturais, etc., permitindo-nos compreender de maneira empírica e epistemológica as estruturas de cada unidade particular da natureza. É o princípio de todas as coisas, pois se faz compreensível o que nos passa aos sentidos, fazendo-nos crer que 'o que vemos é real, o que sentimos é real, o que percebemos é real' e que tudo não é virtual. É preciso se compreender que 'sentidos imaginários' não possuem, sequer, uma estrutura suficiente para serem ditos hipotéticos, já que deve, antecipadamente, existir estruturas que coexistam, que sejam até contrapostas, mas que se concebam coexistentes.
Partimos do ponto fundamental, o princípio do princípio, o início da incipiência que nos levará à plenitude do ser, de sua composição, de sua estrutura, aquilo que o faz "ser existente". Uma estrutura que existe independentemente da capacidade de compreensão de outrem, isto é, a certeza que a existência do ser em si mesmo independe de minha percepção sobre ele mesmo. A esse aforismo tem-se a elucidação, a compreensão de que a substância do outro, aquilo que o faz ser quem é, existe e o faz existir independentemente da percepção de si mesmo por outrem e, ainda, da capacidade de compreensão de si sobre si mesmo. O processo de perceber-se é algo valioso para se compreender enquanto SER e, com isso, ter a noção consciente do que é existir, ser, agir, interpretar o papel que a vida lhe incubiu: não é uma prisão ser o que realmente se é, mas ter a devida competência para desenvolver-se a si mesmo, com todas as potencialidades que constituem não somente o ser em si, mas configuram a sua própria existência.
Existe, sim, um princípio. Iniciar é um parto e o parto pode ser um princípio ou o princípio doloroso. Mover-se é a certeza de que existe a possibilidade de modificarem as estruturas ou de as potencializar, de ser o que se deve ser, em si mesmo, por sua existência. Existir não é um parto pela dor, mas a própria dor pelo parto: é o movimento que leva à certeza da existência, é a competência que cabe à substância do ser, à constituição do ser, à sua estruturação e, finalmente, à capacidade de ser enquanto ser e estar enquanto ser humano na sociedade, de agir conforme princípios naturais que estão incutidos no DNA e na ALMA do indivíduo. É a certeza de que não se está só e, com isso, não se pode agir conforme qualquer ausência de benfazejo ou ignorância atolada de ignomínia...
...Ser, de fato, é perceber-se no outro, é entender que existe, sim, a similitude, mas que as diferenças também constituem as particularidade e que TAMBÉM merecem o devido respeito, pois TAMBÉM existem.
Que Deus nos dê a graça de sermos menos medíocres e compreender que "somos o que fazemos para mudar o que fomos" na certeza de que nossa essência é imutável, é magnífica, é a perfeição da obra divina nas ações, nos pensamentos, na maneira de lidar com o mundo, com as circunstâncias, com as pessoas e, principalmente, consigo mesmo, com este "EU" que não muitas vezes não sabe o que é por, simplesmente, NUNCA ter olhado com AMOR para o ESPELHO, afim de enxergar-se a si mesmo com os OLHOS DA PRÓPRIA ALMA.

Deus abençoe a todos e obrigado por ter partilhado este pequeno pensamento consigo mesmo. A paz!

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