Total de visualizações de página

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Para dentro de si, o Castelo Interior...

Permite o silêncio transitar por entre os pensamentos...

Mesmo sentindo intenso furor, um doce aperto no peito parece-lhe consolar o que, de fato, não é pleno...
Estarrecificou-se ao adentrar na tenra etapa profunda do ser que pensava ser conhecedor...
E conhecia, mas somente o que antes lhe fora permitido...
Transpassou-lhe a calmaria ao lembrar que compreendera que nada poderia ser, senão, o que de fato é e, sendo, não mais lhe deveria causar transtornos... N'outrora, inúmeros foram... E nada mais há.
Aqueles outonos já não mais existiam e, mesmo assim, permaneciam, ali, tachado nele mesmo, como parte da alma errante, ela mesma, que procurava a liberdade provocadora da sapiência...
O parecer vazio não é uma estupidez, nem um mínimo de querela de insipiência... O parecer vazio permite que os passos continuem e façam alcançar caminhos cada vez mais vastos, a verdadeira amplidão da infinitude, ei-la, portanto, a similitude antagônica do ser infinitamente finito... perfeitamente imperfeito... complexamente simples, docemente caótico...
Traga-se a certeza de que não exista uma congruência eficaz nas coisas, nos seres, na natureza e nas construções pertinentes às criaturas. É simples por trazer imenso arrebatamento de consciência, em que se faz compreender que nada do que seja criado pelo que é imperfeito poderia alcançar a plenitude da perfeição... Absolutamente nada.
Traga-se a atemorização e a sensação de sucumbência recíproca entre as criaturas e teremos a verdade da essência do ser: a plenitude de liberdade, a partir do silêncio, transcorre ontologicamente... Não há, sequer, aquele que possa satisfazer-se por soberania ou superioridade, não há aquele que detenha a plenitude de honra e conhecimento, não poderia em qualquer vão pensamento - e somente lá é possível compreender-se pela graça da peculiar finitude possuída pelas criaturas - proceder a concepção da verdade ao deleitar-se em realidade, em morfismos, em matéria... em NADA.
E, num doce suspiro subsequente à atemorização, ao sufoco da verdade, encontra-se viva e veemente a verdade do ser, a plenitude que transpassa a alma e a refrigera, alegrando inteiramente o ser por fazê-lo compreender que nada é, deveras, maior, melhor, superior ao partir da criatura - que somos. Nada poderia nos fazer melhores e superiores, senão a nós mesmos unicamente, se não vier pela superioridade de algo que vai muito além de nossa finitude.
O vazio passa a fazer sentido e a essência torna-se perene, plena, pois já não mais sucumbe o ser por não aceitar o que é e o que não é, mas por compreender que existe alguém único, logicamente, e que não pode ser substancialmente replicado, triplicado, multiplicado e nem comparável, permitindo-se ser UNICAMENTE a verdadeira perfeição em Sua Infinitude, Benevolência, Amplidão, Compreensão, Sabedoria, Conhecimento, Beleza e a suma essência do que é Verdade: Jamais haveria Graça se não fosse pela Unidade... Sua Graça basta-nos a nós mesmos e nos supera elevando-nos ao divino estado de seres humanos, repletos de caminhos, quartos, num Castelo Interior (parafraseando Santa Tereza d'Ávila) em que só sendo Perfeito poderia habitar dentro da imperfeição, e NUNCA o contrário...

Graça e Paz a todos.

Wesley Mendes