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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Do frio e da saudade

...Faz frio. O lúgubre sentido que assombra o pensamento não permite que se espalhem chamas de devaneio. Apenas, por entre os ossos, ecoam as lembranças de tempos remotos que, n'outrora, eram meros momentos transeuntes, que embaçavam os olhos daqueles que procurassem compreender o que acontecia naquelas circunstâncias.
...Fazia frio... e o mar que estava calmo, parecia ainda mais revolto. As sombras que traziam alento em dias quentes, não mais eram benvindas. Perguntava a alma errante por onde andava o Sol, tão estimado companheiro em dias brilhantes.
O frio que jazia, naqueles tempos, não fazia mais sentido em ser. Ao ser, que não mais o que era, coube tornar-se, pelo espaço-tempo-contínuo, o que seria pertinente. Tornou-se. E, em se tratando de tornar-se, o que seria o devir, senão, a certeza do que é efêmero sendo concretizado enquanto o processo ininterrupto da vida permanece copiosamente contínuo... ininterrupto... constante em suas inconstâncias... vivífico, permitindo que seja estabelecido todo o ponto de encontro da unidade inequívoca da realidade: o ser ontológico.
...Não haveria mais frio se o calor fosse perene... Talvez não houvesse calor se a saudade de sua ausência fosse maior que o desejo permanente de sua constância, de sua permanência, do anseio voluptoso provocado pela beleza do calor - de si e do outro, do tempo e do vento, do luar e do devanear... - e da certeza de sua essência. O que, de fato, viria a ser essa tamanha ansiedade pela ausência, afim de se compreender que o que é frio não seja, deveras, apenas uma ausência em si, mas uma verdadeira marcante presença do que não está...(?)

25/01/2016