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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

À Inspiração

As palavras ecoam como noutr'ora. 
Nebulosas, ampliaram sua densidade, ainda que permaneçam como são.
A impermeabilidade solidificou-se - por fora -, trazendo tranquilidade temporária, até que cada gota sanguínea venha a recuperar-se... e, desfalecida - por dentro -, tornou-se ainda mais transparente.

As palavras acalmam-se em ternura...
Repletas de um brilho opaco, ofuscam toda treva pseudo-racional, e atemorizam seus interlocutores...
Trazem paz ao passo que dilaceram toda promiscuidade, toda sujeira subversiva, a todo aquele que tenta silenciar a alma que canta, alma errante, mas "tentante"! 

Ah.. por onde andas, às quantas, doce inspiração? Por que não me retomas pelas mãos e me inebria com tua altivez? Venhas trazer-me à tona toda eloquência que passara por tempos longínquos e que há tanto mais tenho visto... Por onde andas, amiga poesia? Por que abandonaste o abandono d'alma minha?

Ah... ei-las, as palavras! Quantas são, ainda que repetidas, nunca repetitivas, enquanto únicas figurantes dessa doce fantasia, incutidas em tão limitado ser insignificado...
Doces palavras... Elas, que atenuam a dor do pranto, e que sofrem no silêncio do olhar por tanto quererem se expressar quando, deveras, não podem...

Wesley Mendes - 16/12/2016 às 13:47h

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Tenras Reflexões

Feito um andarilho desconhecido, vagueando pelo pântano tenebroso de outrora, fugidio de pensamentos constantemente inebriados, ei-lo, em si mesmo, antagônico do que fôra, análogo às possibilidades do devir...

Fúnebre observador do caos, excretor de tudo que concebe inválido - ainda que creia ser a validade algo em si mesmo, possuir seu próprio tempo -, impertinente... intermitente... fluido, frívolo, algoz de si, destemido, desconhecedor da realidade imanente do temor por ser vitimado, segue, como sempre, a absorver tudo, em todo lugar, deglutindo e expurgando, apreendendo e aprendendo, silenciando e esmorecendo... 

Deleita-se no mais ávido mar de sofreguidão, de angústia, pelo embuste que soterrou todos ao seu redor. Vagueia, feito árvore a drenar, simplesmente, a seiva da terra, o que lhe é vital e necessário ao cronômetro reverso que não cessa -  mas que cessará -, feito ave à procura do verão ante o inverno, afim de que não se esvaia definitivamente o que anseia...

E seus anseios, onde estão? Aonde vai sem as querelas? Não vai... Pensa poder ir ou chegar em lugar qualquer... ou a algum lugar. Quiçá compreenda que o lugar não existe, senão, por força de sua existência e, ainda assim, seus pensamentos confundir-se-ão por desentender o quão confusa é a existência, o que realmente seria existir... (?)

Feito um andarilho desconhecido, segue, pois inexiste ante o tempo em que não vem à tona e, mesmo sabendo existir [em si mesmo], sabe que inexiste aos que não lhes foram revelados...

O que, de fato, é existir? O que, de fato, transcende o devir? O que é, de fato, o ser? Até que ponto isso possui valor ou que valor possui o seu valor? 

Aonde vai? Onde está?

Wesley Mendes - 17/11/2016 

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Da Misericórdia


Tanto no Oriente quanto no Ocidente, existem vários caminhos que levam ao conhecimento confrontante de si mesmo com a verdade. Quanto mais o homem conhece a realidade e o mundo, tanto mais passa a conhecer-se a si mesmo, reconhecendo os sentidos e percebendo que é passível de conhecimento posto que entende ser parte integrante do todo, ainda que seja uma unidade discreta, única.
Em Delfos, a escritura “Conhece-te a ti mesmo [e conhecerás o segredo dos deuses e do cosmo]” é a premissa fundamental para quem almeja compreender o sentido da própria existência: no primeiro momento, percebe-se em quanto SER e, em seguida, reconhece-se enquanto ser HUMANO, dotado de características pertinentes desenvolvidas e outras inatas.
Reconhecendo essas características, percebemo-nos reféns de questionamentos que vêm à tona à medida que alcançamos à plenitude de nosso desenvolvimento, já no próprio caminho percorrido. Tentamos entender “quem somos?” ou “para que viemos?”, “O que virá após mim?”, “Por que o mal existe?” ou... “Onde está Deus?”, “Será que Ele existe?”. A Bíblia é um caminho capaz de responder a todas elas, posto que, além de ser um analecto de textos históricos, doutrinários, contém o maior acervo sobre o auto-conhecimento e o conhecimento responsável de Deus.
É preciso compreender-se enquanto ser infinitamente limitado e ilimitadamente curioso. É preciso contemplar o divino a partir do que se é possível compreender em nossas limitações. Perceber que nossos limites não são simplesmente imposições naturais, mas verdadeira oportunidade de contemplação do que é eternamente iminente e absoluto, extraordinário e inefável, passível de ser admirado por sua totalidade em existir, mesmo que não tenhamos a pura competência para fazê-lo de maneira digna.
É pela dignidade que não possuímos, que entendemos o que aqueles que reconhecem a Revelação [divina] e a certeza de um ser Único e inquestionavelmente superior é a essencialidade para que concorrem todas as coisas. Apesar de ser um pensamento Aristotélico, aperfeiçoado por São Tomás de Aquino e reforçado pelo Papa João Paulo II, a sabedoria dos escritos bíblicos nos revela todas essas informações, explicando implicitamente a origem natural de tantos questionamentos, dessa interminável busca por respostas de perguntas diversas e intermináveis.
Santo Ambrósio foi capaz de resumir o que precede, intercede e sucede esses aforismas da vida reflexiva numa resposta objetiva, simples e perfeita sobre o que buscava Agostinho, antes de sua conversão:  “A verdade não está num livro; a verdade é uma pessoa: Jesus”. O surgimento de um pensamento absoluto e concretamente definitivo, permite-nos alcançar uma compreensão irrisória, por ser absoluta e controversa, mas que é pertinente; absurda, em primeiro contato, mas verdadeiramente pura e conclusiva, ao cerne do ápice de entendimento. Jesus, diferentemente de TODOS os homens, de maneira única e perspicaz, contrária ao comportamento comum de toda a humanidade, fez com que a verdade passasse a ter um sentido para além do denotativo e alcançasse, deveras, cunho próprio, vivífico, carnal, comportamental, divinamente humano, real e perceptível por todos os sentidos corpóreos.
É com a certeza de um exemplo, dos tanto deixados pelo verdadeiro primogênito de Deus-Pai, que se alcança a compreensão de existência de humanidade, mesmo advinda daquele que era, que é e que sempre será, feita pelo Mestre dos mestres, capaz de contradizer qualquer teoria ou preceito puramente científico. Ele, Senhor dos senhores, Rei dos reis, Alfa e Ômega, a maior inteligência que já existiu, trouxe à Terra toda a possibilidade de compreensão comportamental humana, desde pequenos princípios éticos até às mais sublimes demonstrações de amor incondicional, todas sendo possíveis e almejáveis pela natureza que é única dotada de razão: a humana. Foi capaz de mostrar que Sua união hipostática não seria capaz de sublimar o que há de mais divino no humano: incutiu a verdadeira experiência de misericórdia aos sentidos humanos, que são os únicos capazes de contemplar tamanha beleza. Fez-se, portanto, em nós, verdadeiro sentido naquilo que pareceu absurdo aos de Sua época, e que nos trouxe um verdadeiro marco histórico: um homem de Nazaré, filho adotivo de um carpinteiro [castíssimo e dotado de inúmeras virtudes] e de uma jovem moça [repleta da graça de Deus], mostrou como somos semelhantes e o quão amorosos podemos ser quando tomamos por natural alguns atos de humanidade, fraternidade, respeito e valor ao próximo, mesmo que de crenças distintas ou de valores diversos culturalmente.
Sem a menor intensão de vanglória, o Filho Unigênito de Deus, deixou de lado sua natureza divina e demonstrou com veemência o que é o poderio de um Rei com a simplicidade de filho de carpinteiro, capaz de tocar qualquer que seja o coração e causar transtorno e inquietação aos líderes, chefes, doutos, exegetas, intelectuais de todos os lugares, por, simplesmente, ser divinamente humano. É nesse interim que podemos ter a certeza de que não há como não se admirar por haver um Ser que possui tudo em extrema potência, capaz de ser a própria essência da humildade, verdade, benevolência, ética, moral, entre tantos adjetivos maravilhosos, tudo isso por ter sido transbordante em Amor. E, fazendo-o, deu-nos a graça de poder perceber que se fez Amor e, sendo o próprio Amor, incutiu-nos a saudade dessa verdadeira riqueza, divinamente incomensurável e tão perto de nós; verdadeiramente amor, perfeitamente inefável.
Havendo pouco mais que simples gestos, algumas parábolas demasiadamente profundas e uma multidão de seguidores, uns apaixonados e, outros, meros perseguidores, Jesus trouxe a verdadeira arte retórica, a pura essência humana, a simples construção do complexo de Amar e, num sutil e, muitas vezes, incompreendido aforismo régio, definiu abertamente a chave da misericórdia [alcance pleno de Deus] e, portanto, da felicidade Eterna: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Que haja amor e, contudo, o que vier, nos seja dado por acréscimo.

terça-feira, 15 de março de 2016

O ponto inicial...

...Que se parte de onde, senão, do princípio; e o que, de fato, é princípio? A incipiência é um princípio? E o princípio seria, deveras, um princípio? E o início? Começar, talvez, seja o início de um princípio ou, ainda, o princípio do início.
Em tempos de rotinas e de zumbis sociais, o ponto de partida é um princípio - ou uma ausência de princípios: partimos de inícios sem estrutura, sem qualquer base suficientemente sólida para se iniciar um projeto, para que venha a ter bom princípio e seja de princípios. Eis a grande máxima moderna: ter princípios não permite a existência singular da liberdade (de não os ter). 
O niilismo corrobora para uma introdução ao desfalecimento ininterrupto, contínuo, devastador e avassalador da sociedade, da estrutura familiar, da construção do ser humano enquanto HUMANO, enquanto ser-social e motivador da edificação do todo, de todos, para todos. Não se tem uma estrutura - tão raro - em que possamos compreender o ser humano em sua essência, posto que essa situação é sinonímia de uma neo-anteposição ao pensamento moderno: não existe "ser humano", não existe identidade, não existe a existência do ser em si, não existe... Existe? Inexiste? O que existe? Para quê existir? E o que é, de fato, existir?
Permanecemos, portanto, num contexto imbricado de conceitos destruídos, que atemorizam os modernetes e faz com que tudo o que seja fundamental ao desenvolvimento salutar do ser humano, torne-se, exclusiva e estritamente, deplorável, marginal, preconceituoso, engessado, antiquado. Permanecemos. Ainda permanecemos. Enquanto houver essa estagnação, o conceito de "ser humano" tornar-se-á extinto, fazendo-se "necessária" a instauração de um "novo" conceito capaz de trazer a totalidade da plenitude do que vislumbra enquanto "ser", pelos modernetes, o que realmente é o ser existencialmente "humano".
Tornamo-nos sedentários de pronunciamentos de opinião, acuados defensores de princípios que foram taxados de "moralistas", permitimo-nos ser escravizados por instauradores de estigmas, estes, que nunca existiram, mas que fizeram com que viessem a existir, e com força de matéria, quando, deveras, são infundamentados, destrutivos e saqueadores das verdades inerentes ao ser humano, à sua própria existência natural, de suas propriedades fundamentais. Vivenciamos o verdadeiro APOCALIPSE da humanidade ou, sendo mais objetivo, o fenômeno escatológico da perfeita criação do Altíssimo: o ser humano à Sua imagem e semelhança.
É interessante o quanto se misturam, já no ponto de partida, conceitos que não só teriam sentidos divergentes, mas que, ao contrário, contemplam-se - exatamente! -, contemplam-se mutuamente: temos princípios fundamentais que caracterizam, constituem, identificam a estrutura do ser humano, assim como o que fundamenta a estrutura de animais, vegetais, circunstâncias naturais, etc., permitindo-nos compreender de maneira empírica e epistemológica as estruturas de cada unidade particular da natureza. É o princípio de todas as coisas, pois se faz compreensível o que nos passa aos sentidos, fazendo-nos crer que 'o que vemos é real, o que sentimos é real, o que percebemos é real' e que tudo não é virtual. É preciso se compreender que 'sentidos imaginários' não possuem, sequer, uma estrutura suficiente para serem ditos hipotéticos, já que deve, antecipadamente, existir estruturas que coexistam, que sejam até contrapostas, mas que se concebam coexistentes.
Partimos do ponto fundamental, o princípio do princípio, o início da incipiência que nos levará à plenitude do ser, de sua composição, de sua estrutura, aquilo que o faz "ser existente". Uma estrutura que existe independentemente da capacidade de compreensão de outrem, isto é, a certeza que a existência do ser em si mesmo independe de minha percepção sobre ele mesmo. A esse aforismo tem-se a elucidação, a compreensão de que a substância do outro, aquilo que o faz ser quem é, existe e o faz existir independentemente da percepção de si mesmo por outrem e, ainda, da capacidade de compreensão de si sobre si mesmo. O processo de perceber-se é algo valioso para se compreender enquanto SER e, com isso, ter a noção consciente do que é existir, ser, agir, interpretar o papel que a vida lhe incubiu: não é uma prisão ser o que realmente se é, mas ter a devida competência para desenvolver-se a si mesmo, com todas as potencialidades que constituem não somente o ser em si, mas configuram a sua própria existência.
Existe, sim, um princípio. Iniciar é um parto e o parto pode ser um princípio ou o princípio doloroso. Mover-se é a certeza de que existe a possibilidade de modificarem as estruturas ou de as potencializar, de ser o que se deve ser, em si mesmo, por sua existência. Existir não é um parto pela dor, mas a própria dor pelo parto: é o movimento que leva à certeza da existência, é a competência que cabe à substância do ser, à constituição do ser, à sua estruturação e, finalmente, à capacidade de ser enquanto ser e estar enquanto ser humano na sociedade, de agir conforme princípios naturais que estão incutidos no DNA e na ALMA do indivíduo. É a certeza de que não se está só e, com isso, não se pode agir conforme qualquer ausência de benfazejo ou ignorância atolada de ignomínia...
...Ser, de fato, é perceber-se no outro, é entender que existe, sim, a similitude, mas que as diferenças também constituem as particularidade e que TAMBÉM merecem o devido respeito, pois TAMBÉM existem.
Que Deus nos dê a graça de sermos menos medíocres e compreender que "somos o que fazemos para mudar o que fomos" na certeza de que nossa essência é imutável, é magnífica, é a perfeição da obra divina nas ações, nos pensamentos, na maneira de lidar com o mundo, com as circunstâncias, com as pessoas e, principalmente, consigo mesmo, com este "EU" que não muitas vezes não sabe o que é por, simplesmente, NUNCA ter olhado com AMOR para o ESPELHO, afim de enxergar-se a si mesmo com os OLHOS DA PRÓPRIA ALMA.

Deus abençoe a todos e obrigado por ter partilhado este pequeno pensamento consigo mesmo. A paz!

sexta-feira, 11 de março de 2016

O sacramento e a vocação



Aos que casaram, que são felizes por estarem com a pessoa amada escolhida por Deus para estar consigo pelo restante dos seus dias, eu vos felicito com esta linda canção. Aos jovens, aos que estão namorando ou que já deram mais um passo, no noivado, ou que estão, ainda, em uma relação que pode ser sacralizada, eu vos dedico essa canção também, pois vocês já estão buscando esse novo... uma vida diferente, emergente, de verdadeira entrega "na real", sendo experimentada na própria pele. Você escolheu estar despojado de si e doado INTEIRAMENTE à outra pessoa, esta, que não mais será "outra pessoa", mas uma só carne contigo. Não é uma escolha qualquer... são duas vidas que se tornam uma só vida. é a certeza da plena caridade 24 horas por dia, é a certeza da inteira doação, plena entrega.
Não existe mal algum nisso, nessa dádiva, nessa Graça Divina, nessa certeza que transcende à razão humana! Que liberta e, ao contrário do que muitos pensam, nunca aprisionou... Em verdade, nós é que, por sermos tolos, nos permitimos (por livre-arbítrio) vivenciar uma prisão, fazendo-nos crentes de uma mazela que NUNCA existiu. Faça-se livre, permita-se livre! Conheça-se no outro, encontre-se na pessoa com quem dividirá todos os restantes dias de sua vida! Conheça o outro dentro de si, encontre a outra pessoa nos momentos em que não se permitiu olhar no espelho por não suportar seus próprios erros e, enfim, poder dizer "eu sou tão humano quanto você!" e se abrir a ouvir "você é tão humano quanto eu fui criado".
Não existe prisão, senão, a da tolice de permitir que nos imprimam pseudo-conceitos que, ao invés de nos possibilitar dar passos à diante, façam com que estejamos com grilhões que nos impedem de aprender, de seguir em frente, de nos aperfeiçoarmos como o Pai do Céu é perfeito...Sejamos livres... Não temamos esse dom maravilhoso de estar eternamente uno à pessoa amada... Sendo Deus perfeitíssimo, não haveria maior exemplo para nós de UNIDADE do que Pai, Filho e Espírito Santo serem UM SÓ em 3, possibilitando-nos sermos um só (casal) unidos ao perfeito Espírito de Deus. Sermos um homem e uma mulher numa só carne e num só espírito sendo conjugados ao Espírito de Deus, nós, imperfeitos em busca do aperfeiçoamento, descobrindo-nos, enquanto unidade, verdadeiros sacrários vivos, Templos do Espírito Santo.

Deus abençoe a todos e que o amor de Nossa Senhora seja nosso exemplo humano de doação. A paz!

O Mestre dos ventos - Rosa de Saron

Este é o fim
Sinto o ar acabar
Onde estão os meus?
Quem vem me buscar?
Dê-me a sua bênção antes de partir
Findarei então, não sofra por mim
Hoje eu morri pro pecado

Eu desabrigo a minha dor
Viro mendigo do meu destino
Chagas hão de tocar
Chagas hão de tocar

Este é o fim
Dos meus temporais
Tudo que eu senti desfalece aqui
Sim, este é o fim dos ventos
Que uivam sem direção
Tocam-me
Mas não me conduzem mais

Hoje eu morri pro pecado
Eu desabrigo a minha dor
Viro mendigo do meu destino
Chagas hão de tocar
Chagas hão de tocar

Hoje eu morri pro pecado
Eu desabrigo a minha dor
Viro mendigo do meu destino, destino, destino
Chagas hão de tocar
Chagas hão de tocar

Sobre a essência existencial do ser ontológico

A veemente probidade de conceitos que circundam a instituição da família, a construção da identidade à partir da consciência do ser humano, e a integridade ética e moral dos indivíduos são inextricáveis. Não podemos admitir que haja uma desconstrução de referências pertinentes às várias etapas de crescimento do ser humano, mas voltar todo o olhar para, a priori, considerar o valor de importância do bem-construir cada uma dessas etapas. É torpe verificar a contundência com que lidam questões acerca de afetividade e sexualidade para crianças e como se despojam dessa mesma cultura ao se aplicar o que é pertinente a jovens e adultos: aos pequeninos, estão exigindo o direito de se "mudar" o aparelho genital (e não o sexo, não a sexualidade, não o código GENÉTICO,i reitero à sapiência dos que possuem) e, aos "maiores", já deturpados, denegridos, desinstruídos, marginalizados, construídos de qualquer forma à mercê de não serem seres pensantes, conscientes da beleza da vida e da perfeição de sua existência, a certeza de que PODEM fazer o que quiserem, quando e como "der na telha". Criou-se um "vírus bacteriofílico" de que as coisas precisam ser conforme a pseudo-liberdade que tentam incutir na cultura sadia do ser humano: "Se é uma árvore que SENTE como se fosse um beija-flor, ela tem 'o direito' de ser o que ela quiser"... Logo, não existe verdade material e se eu gosto de feijão, não tenho o direito de não gostar de arroz porque é
arrozofobia... Mas se eu tentar criar consciência de que feijão e arroz possuem características distintas, eu sou um alimentofóbico!! EU PRECISO DE TRATAMENTO porque eu SOU CAPAZ DE TER CONSCIÊNCIA DE QUE AS COISAS POSSUEM SUAS PARTICULARIDADES... Isto é, ter consciência e ser capaz de perceber a beleza das diferenças e suas perfeições particulares é algo absurdo! TUDO isso porque está proibido TER CONSCIÊNCIA, PERCEBER, OBSERVAR, COMPREENDER as coisas como são em sua natureza real, isto é, nada é o que parece, de fato, até que esse nada acredite ser outra coisa.................................. #Oremus: Senhor, que excrementos fecais nunca sonhem em ser pombos!
Como posso anular a realidade de uma "cadeira" e ser suficientemente incompetente e mentecapto a ponto de querer inibir sua potencialidade? A verdade estaria, simplesmente, em crer que POSSO DESTRUÍ-LA para FAZER O QUE EU QUISER com ela? É simples: Se não preciso de uma cadeira, mas da madeira ou do material que a constitui, que eu procure realmente o que é necessário; Se eu sou um admirador de Laura Pausini, isso não me dá o direito de destruir a vida dela, sua carreira, sua família e aprisioná-la por meu bel-prazer de tê-la cantando (e com muito desgosto, diga-se de passagem!) só pra mim; NADA, absolutamente NADA me dá o direito de tentar destruir o outro por um propósito, por qualquer que seja.
Uma criança tem propriedades de criança e merece, deve, necessita ser respeitada! Uma criança, um dia, será um adulto e, sendo bem cuidada, será um adulto incrível, capaz de tornar o mundo dos que o cercam, melhor. Um jovem, que foi bem cuidado, poderá não somente ser o "filhão" ou a "filhona" que orgulharão os pais pelas boas notas, mas por ser um jovem que desfruta de boas amizades, que já encontrou a certeza de apreciar a beleza das pequenas coisas... do pôr-do-sol... da leitura de um bom livro... da alegria que é cuidar de um jardim, de plantar uma árvore... de perceber que podemos cuidar do mundo de hoje para os que virão...
Um adulto que foi bem cuidado, certamente será aquele responsável por cuidar das crianças que coexistirão consigo, dos pais que já não mais têm idade para tomar banho sozinhos, de zelar pela vida de seu cônjuge ou dos paroquianos aflitos em confissão na comunidade...
O que está havendo hoje? Um bando de gente medíocre que agride crianças e causam traumas, jovens feridos que encontrarão refúgio em coisas torpes que de nada valerão em suas vidas, adultos medíocres, esses mesmos, que estarão lutando para abrir cada vez mais brechas para DESTRUIR o SER HUMANO, a beleza de se ter uma FAMÍLIA, a alegria de se viver em paz com a aceitação da vocação que fomos criados desde a concepção.

Deus seja louvado por tudo... E, por favor, não permitamos que essa DESTRUIÇÃO DA VIDA tenha continuidade...

Paz e bem a todos!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Para dentro de si, o Castelo Interior...

Permite o silêncio transitar por entre os pensamentos...

Mesmo sentindo intenso furor, um doce aperto no peito parece-lhe consolar o que, de fato, não é pleno...
Estarrecificou-se ao adentrar na tenra etapa profunda do ser que pensava ser conhecedor...
E conhecia, mas somente o que antes lhe fora permitido...
Transpassou-lhe a calmaria ao lembrar que compreendera que nada poderia ser, senão, o que de fato é e, sendo, não mais lhe deveria causar transtornos... N'outrora, inúmeros foram... E nada mais há.
Aqueles outonos já não mais existiam e, mesmo assim, permaneciam, ali, tachado nele mesmo, como parte da alma errante, ela mesma, que procurava a liberdade provocadora da sapiência...
O parecer vazio não é uma estupidez, nem um mínimo de querela de insipiência... O parecer vazio permite que os passos continuem e façam alcançar caminhos cada vez mais vastos, a verdadeira amplidão da infinitude, ei-la, portanto, a similitude antagônica do ser infinitamente finito... perfeitamente imperfeito... complexamente simples, docemente caótico...
Traga-se a certeza de que não exista uma congruência eficaz nas coisas, nos seres, na natureza e nas construções pertinentes às criaturas. É simples por trazer imenso arrebatamento de consciência, em que se faz compreender que nada do que seja criado pelo que é imperfeito poderia alcançar a plenitude da perfeição... Absolutamente nada.
Traga-se a atemorização e a sensação de sucumbência recíproca entre as criaturas e teremos a verdade da essência do ser: a plenitude de liberdade, a partir do silêncio, transcorre ontologicamente... Não há, sequer, aquele que possa satisfazer-se por soberania ou superioridade, não há aquele que detenha a plenitude de honra e conhecimento, não poderia em qualquer vão pensamento - e somente lá é possível compreender-se pela graça da peculiar finitude possuída pelas criaturas - proceder a concepção da verdade ao deleitar-se em realidade, em morfismos, em matéria... em NADA.
E, num doce suspiro subsequente à atemorização, ao sufoco da verdade, encontra-se viva e veemente a verdade do ser, a plenitude que transpassa a alma e a refrigera, alegrando inteiramente o ser por fazê-lo compreender que nada é, deveras, maior, melhor, superior ao partir da criatura - que somos. Nada poderia nos fazer melhores e superiores, senão a nós mesmos unicamente, se não vier pela superioridade de algo que vai muito além de nossa finitude.
O vazio passa a fazer sentido e a essência torna-se perene, plena, pois já não mais sucumbe o ser por não aceitar o que é e o que não é, mas por compreender que existe alguém único, logicamente, e que não pode ser substancialmente replicado, triplicado, multiplicado e nem comparável, permitindo-se ser UNICAMENTE a verdadeira perfeição em Sua Infinitude, Benevolência, Amplidão, Compreensão, Sabedoria, Conhecimento, Beleza e a suma essência do que é Verdade: Jamais haveria Graça se não fosse pela Unidade... Sua Graça basta-nos a nós mesmos e nos supera elevando-nos ao divino estado de seres humanos, repletos de caminhos, quartos, num Castelo Interior (parafraseando Santa Tereza d'Ávila) em que só sendo Perfeito poderia habitar dentro da imperfeição, e NUNCA o contrário...

Graça e Paz a todos.

Wesley Mendes

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Do frio e da saudade

...Faz frio. O lúgubre sentido que assombra o pensamento não permite que se espalhem chamas de devaneio. Apenas, por entre os ossos, ecoam as lembranças de tempos remotos que, n'outrora, eram meros momentos transeuntes, que embaçavam os olhos daqueles que procurassem compreender o que acontecia naquelas circunstâncias.
...Fazia frio... e o mar que estava calmo, parecia ainda mais revolto. As sombras que traziam alento em dias quentes, não mais eram benvindas. Perguntava a alma errante por onde andava o Sol, tão estimado companheiro em dias brilhantes.
O frio que jazia, naqueles tempos, não fazia mais sentido em ser. Ao ser, que não mais o que era, coube tornar-se, pelo espaço-tempo-contínuo, o que seria pertinente. Tornou-se. E, em se tratando de tornar-se, o que seria o devir, senão, a certeza do que é efêmero sendo concretizado enquanto o processo ininterrupto da vida permanece copiosamente contínuo... ininterrupto... constante em suas inconstâncias... vivífico, permitindo que seja estabelecido todo o ponto de encontro da unidade inequívoca da realidade: o ser ontológico.
...Não haveria mais frio se o calor fosse perene... Talvez não houvesse calor se a saudade de sua ausência fosse maior que o desejo permanente de sua constância, de sua permanência, do anseio voluptoso provocado pela beleza do calor - de si e do outro, do tempo e do vento, do luar e do devanear... - e da certeza de sua essência. O que, de fato, viria a ser essa tamanha ansiedade pela ausência, afim de se compreender que o que é frio não seja, deveras, apenas uma ausência em si, mas uma verdadeira marcante presença do que não está...(?)

25/01/2016